Polaco Doido

Sem muita pretensão, um pouco de tudo

A liberdade de expressão é nada mais que uma fantasia

Durante estes três anos e meio de existência do blog Polaco Doido, foram postados aqui nada menos que 872 artigos na imensa maioria assinados pelo próprio Polaco Doido, tratando dos mais variados temas como, comportamento, religião, política e as atitudes de alguns políticos.

A respeito dos políticos, as críticas aqui publicadas não fizeram nenhuma distinção. Escrevi sobre a presidente e ex-presidentes, senadores, governadores, deputados, vereadores de vários partidos e também a respeito de candidatos a qualquer um destes cargos.

Foram três anos e meio de postagens que coincidiram com dois períodos eleitorais. Nos quais colecionei três processos junto à justiça eleitoral. Um em 2012 quando fui condenado e mais dois agora, nos quais já obtive sucesso em primeira instância e aguardo o julgamento dos recursos.

Apesar de os principais alvos das críticas mais contundentes do blog terem sido quase sempre dirigidas ao governador do estado, seus asseclas, políticos das bancadas religiosas e outros figurões do tucanato brazuca, os três processos judiciais movidos contra este blogueiro vieram de apenas um único político e de seu partido, Carlos Roberto Massa Júnior, o Ratinho JR. do PSC paranaense.

Já é automático. Se eu escrever aqui qualquer coisa a respeito de Ratinho Jr. durante o período eleitoral, posso ter a certeza que em menos de uma semana um oficial de justiça baterá minha porta com uma intimação em mãos.

E daí, adeus sossego. Tenho que correr atrás de um advogado, explicar a situação, preparar uma defesa, correr ao Tribunal Regional Eleitoral e tudo mais. Assim, o trabalho que sustenta a mim e a minha família, as postagens regulamentares, meu lazer e até minhas finanças ficam seriamente comprometidos durante todo o período que durar este processo.

Então, como posso escrever novamente qualquer coisa a respeito de Ratinho Jr ou seu partido, se já tenho a certeza de que ele inevitavelmente irá me processar novamente?

Sem contar ainda que os argumentos destas acusações sempre beiram o ridículo.

Da primeira vez, porque comparei seu desempenho nas urnas em 2010, com o desempenho do igualmente campeão de votos Tiririca do PR paulista. Fui condenado ao pagamento de multa e meus textos tiveram que ser excluídos da rede.

Desta vez, o candidato quer que um texto do blog seja excluído que eu me retrate publicamente no Facebook, também quer que me seja aplicada uma multa no valor de R$ 30 mil e ainda, quer que eu seja obrigado a publicar aqui um direito de resposta pelas supostas ofensas que fiz a sua pessoa e ao partido que ele representa.

Sou acusado e respondo processo por ter no texto do blog e também no facebook, me referido ao candidato Ratinho JR pelo nome de Ratinho Jr e não seu nome de batismo (Carlos Roberto Massa Jr).

Por ter afirmado que desta vez ele escolheu o cargo de deputado estadual para, dependendo do resultado da eleição, disputar na ALEP o cargo de presidente daquela casa de leis.

Por ter afirmado que ele leva vantagens eleitorais por ter um canal de TV (a Rede Massa)  a seu dispor.

Por ter ilustrado a postagem com a figura de um ratinho roendo um saco de grãos.

Por ter afirmado que o Partido Social Cristão tem em seus discursos um posicionamento sexista, homofóbico e segregador.

E o pior de tudo, o mais surreal, absurdo e descabido argumento dos meus acusadores:

Sou acusado formalmente de ser PETISTA!

Sim, tenho afinidade com alguns discursos e bandeiras do PT. Sim, sempre declarei abertamente que todos meus votos para presidente da república sempre foram destinados ao PT. Sim, tenho amigos e conhecidos que são filiados ou militantes do partido.

Mas a partir disso, afirmar que sou petista já beira a paranóia.

Além do mais, desde quando que ser petista virou crime ou algum tipo de contravenção?

Sem contar ainda que sou filiado ao PPL, um partido que nem faz parte da bancada governista federal, chefiada pelo PT.

Novamente pergunto a você:
Como posso escrever novamente a respeito de Ratinho Jr, já sabendo que serei processado por isso?

No meu lugar, você escreveria sobre ele e aguentaria novamente todo o desgastante processo judicial?

E tudo isso sem ganhar absolutamente nada, apenas o prazer de compartilhar ideias com quem lê em português e, por ventura, venha a acessar o endereço www.skora.com.br.

Que liberdade de expressão e opinião constitucional é essa que permite que eu seja coagido por uma pessoa qualquer a não me manifestar sobre ela porque sei que vou responder judicialmente por isso?

Ao que me parece, a liberdade de expressão e opinião só é verdadeira se eu concordar com as opiniões de quem pode pagar um bom grupo de advogados para ficar monitorando e processando quem discordar de suas ideias.

Por isso e só por isso, este texto encerra oficialmente as atividades do blog Polaco Doido. Não posso tentar exercer um direito que na prática inexiste.

Fica registrado meu mais profundo desejo de que um dia o Sr. Carlos Roberto Massa Jr, o Ratinho Jr. descubra e entenda que a verdadeira democracia se constrói com o debate e não com embate das ideias.

O Debate abre as portas da mente para novas opiniões, agrega conhecimento aos interlocutores e é positivo em quase todas as circunstâncias.

O Embate é apenas uma demonstração ou uma disputa de forças sejam elas, física, bélica, intelectual ou jurídica e não cabe dentro de um verdadeiro e participativo processo democrático. O embate só é comum nas ditaduras, nos regimes autoritários e autocráticos.

Aos leitores, seguidores, comentadores e debatedores que concordaram ou discordaram com alguma coisa do que foi escrito aqui durante estes três anos e meio, meus mais sinceros agradecimentos.

Foi muito bom poder compartilhar com vocês algumas das mirabolantes sinapses que se passam e passaram nesta minha cachola.

Obrigado mesmo e, quem sabe, nos vemos por aí qualquer dia.

Luiz Eduardo Skora

 

O Pobre Ratinho Vs. O Polaco Malvadão

Como se já não bastassem todos os pepinos da vida, agora me aparece mais um, ou melhor, dois.

Um dos candidatos a deputado estadual aqui do Paraná que já foi candidato a prefeito de Curitiba e que é filho de um famoso dono e apresentador da televisão, parece sentir-se profundamente ameaçado por este espaço mal escrito, pouco lido e a cada dia menos atualizado.

Nas eleições 2012 o candidato já havia processado o blog e além de conseguir retirar dois textos publicados aqui, também pediu que o Juiz multasse o Polaco Doido em R$ 50 mil.

Para estas eleições de 2014 a história se repete. Além de solicitar judicialmente um direito de resposta no importante e muito influente veículo da informação [sqn],  Blog Polaco Doido, mais uma vez pede também que sejam excluídos textos aqui do blog e que este blogueiro mais uma vez seja multado pela justiça eleitoral.

Pensa no absurdo!

O cara solicitou na justiça um pedido de direito de resposta contra Blog Polaco Doido.

Não é surreal um troço desses????

Em que século essa criatura vive?

Meu! Isso aqui é só um blog pessoal, independente, periférico e muito pouco lido.

Além do mais, é internet cara!!!

Você não precisa entrar com pedido na justiça para ter direito de resposta. Basta entrar em contato comigo, explicar a situação, mandar o seu texto e eu público sem nenhuma frescura.

Simples assim.

Todos os meia-dúzia de leitores do blog vão ler seus argumentos e todos nós continuaremos nossas vidas felizes e contentes.

Sei lá, até parece que a existência do blog Polaco Doido coloca em risco a carreira político-eleitoral do candidato. Ou pior, os textos aqui publicados colocam em risco a própria audiência e a verbas de publicidade da rede de rádio e TV do pai do candidato.

Só pode.

Sim, eu sei que o Polaco Doido, durante estes três anos e meio de existência, cultivou um invejável público assíduo de meia-dúzia de leitores (talvez um pouco mais, talvez um pouco menos) e também sei que estes leitores, independente da existência do blog, não têm o perfil dos eleitores do candidato que adora me processar, como também, não tem o perfil dos telespectadores assíduos do canal de televisão do pai do candidato – no máximo assistem algum episódio de Chaves quando zapeiam com o controle remoto.

Então Juninho?

Por que de todo este afinco em tentar me calar pela via judicial e financeira?

O Polaco Doido, apesar de assumidamente progressista e de esquerda, não é candidato a nada, não tem vínculo com partido político ou candidato nenhum, não recebe nenhuma espécie de subsídio ou patrocínio de ninguém. É só um blog pessoal, mantido por um cara que gosta de escrever o que pensa. Só isso!

O que realmente te ameaça aqui neste espaço sujo, pouco lido e insalubre?

Ora, vivemos na era da informação do supérfluo onde mais do que nunca, a velha máxima continua sempre verdadeira: “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

O mais importante nesta época de informações e notícias descartáveis não é o conteúdo, são sim, os personagens.

Ou será que, apesar da irrelevância midiática do Polaco Doido e de seu editor, a verdade dói, machuca, fere e deve ser calada a qualquer custo?

Com a palavra, o candidato.

Polaco Doido

De cegos e de anões

Mauro Santayana 

Se não me engano, creio que foi em uma aldeia da Galícia que escutei, na década de 70, de camponês de baixíssima estatura, a história do cego e do anão que foram lançados, por um rei, dentro de um labirinto escuro e pejado de monstros. Apavorado, o cego, que não podia avançar sem a ajuda do outro, prometia-lhe sorte e fortuna, caso ficasse com ele, e, desesperado, começou a cantar árias para distraí-lo.

O anão, ao ver que o barulho feito pelo cego iria atrair inevitavelmente as criaturas, e que o cego, ao cantar cada vez mais alto, se negava a ouvi-lo, escalou, com ajuda das mãos pequenas e das fortes pernas, uma parede, e, caminhando por cima dos muros, chegou, com a ajuda da luz da Lua, ao limite do labirinto, de onde saltou para  densa floresta, enquanto o cego, ao sentir que ele havia partido, o amaldiçoava em altos brados, sendo, por isso, rapidamente localizado e devorado pelos monstros que espreitavam do escuro.

Ao final do relato, na taverna galega, meu interlocutor virou-se para mim, tomou um gole de vinho e, depois de limpar a boca com o braço do casaco, pontificou, sorrindo, referindo-se à sua altura: como ve usted, compañero… con el perdón de Dios y de los ciegos, aun prefiro, mil veces, ser enano…

Lembrei-me do episódio — e da história — ao ler sobre a convocação do embaixador brasileiro em Telaviv para consultas, devido ao massacre em Gaza, e da resposta do governo israelense, qualificando o Brasil como irrelevante, do ponto de vista geopolítico, e acusando o nosso país de ser um “anão diplomático”.

Chamar o Brasil de anão diplomático, no momento em que nosso país acaba de receber a imensa maioria dos chefes de Estado da América Latina, e os líderes de três das maiores potências espaciais e atômicas do planeta, além do presidente do país mais avançado da África, país com o qual Israel cooperava intimamente na época do Apartheid, mostra o grau de cegueira e de ignorância a que chegou Telaviv.

O governo israelense não consegue mais enxergar além do próprio umbigo, que confunde com o microcosmo geopolítico que o cerca, impelido e dirigido pelo papel executado, como obediente cão de caça dos EUA no Oriente Médio.

O que o impede de reconhecer a importância geopolítica brasileira, como fizeram milhões de pessoas, em todo o mundo, nos últimos dias, no contexto da criação do Banco do Brics e do Fundo de reservas do grupo, como primeiras instituições a se colocarem como alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, é a mesma cegueira que não lhe permite ver o labirinto de morte e destruição em que se meteu Israel, no Oriente Médio, nas últimas décadas.

Se quisessem sair do labirinto, os sionistas aprenderiam com o Brasil, país que tem profundos laços com os países árabes e uma das maiores colônias hebraicas do mundo, como se constrói a paz na diversidade, e o valor da busca pacífica da prosperidade na superação dos desafios, e da adversidade.

O Brasil coordena, na América do Sul e na América Latina, numerosas instituições multilaterais. E coopera com os estados vizinhos — com os quais não tem conflitos políticos ou territoriais — em áreas como a infraestrutura, a saúde, o combate à pobreza.

No máximo, em nossa condição de “anões irrelevantes”, o que poderíamos aprender com o governo israelense, no campo da diplomacia, é como nos isolarmos de todos os povos da nossa região e engordar, cegos pela raiva e pelo preconceito, o ódio visceral de nossos vizinhos — destruindo e ocupando suas casas, bombardeando e ferindo seus pais e avós, matando e mutilando as suas mães e esposas, explodindo a cabeça de seus filhos.

Antes de criticar a diplomacia brasileira, o porta-voz da Chancelaria israelense, Yigal Palmor, deveria ler os livros de história para constatar que, se o Brasil fosse um país irrelevante, do ponto de vista diplomático, sua nação não existiria, já que o Brasil não apenas apoiou e coordenou como também presidiu, nas Nações Unidas, com Osvaldo Aranha, a criação do Estado de Israel.

Talvez, assim, ele também descobrisse por quais razões o país que disse ser irrelevante foi o único da América Latina a enviar milhares de soldados à Europa para combater os genocidas   nazistas; comanda órgãos como a OMC e a FAO; bloqueou, com os BRICS, a intervenção da Europa e dos Estados Unidos na Síria, defendida por Israel, condenou, com eles, a destruição do Iraque e da Líbia; obteve o primeiro compromisso sério do Irã, na questão nuclear; abre, todos os anos, com o discurso de seu máximo representante, a Assembleia Geral da Nações Unidas; e porque — como lembrou o ministro Luiz Alberto Figueiredo, em sua réplica — somos uma das únicas 11 nações do mundo que possuem relações diplomáticas, sem exceção – e sem problemas – com todos os membros da ONU.

Coronelismo Midiático – A ascensão do novo coronelismo paranaense

Nestes primeiros movimentos da campanha eleitoral 2014, as atenções e os holofotes da imprensa corporativa estão limitados apenas àqueles candidatos ao executivo com chances reais de chegar ao segundo turno (Beto Richa – PSDB, Gleisi Hofmann – PT e Roberto Requião – PMDB).

Talvez os chefes de redação tenham se esquecido que o sistema de governo no país, estados e municípios é dividido em três poderes distintos, equivalentes e teoricamente independentes e que o poder legislativo, exercido pelos deputados, é tão determinante e influente nas tomadas de decisões importantes quanto o é o poder executivo, comandado pelo governador do estado.

Também não é muito estranha a opção de Ratinho Jr. – PSC-PR?

Ora, um político com o histórico eleitoral de Ratinho Jr. poderia disputar com chances reais qualquer um dos cargos em disputa no estado.

Seria um forte candidato a Governador, a vice-governador a Senador ou se reelegeria facilmente como Deputado Federal.

Por que então, ele não aceitou a vaga de vice-governador na forte chapa de Beto Richa e optou por disputar o prosaico cargo de Deputado Estadual. Um cargo sem o glamour e os holofotes de chefe do executivo estadual ou de senador?

Simples. Ratinho Jr. não é nada bobo.

A administração de Richa no comando do governo do estado tem sido muito aquém do esperado e são muito reais as chances do atual governador não conseguir se eleger para um segundo mandato.

Como vice de Richa, Ratinho Jr, correria o sério risco de amargar uma derrota eleitoral que mancharia seu currículo vencedor e o colocaria numa espécie de ostracismo eleitoral pelos próximos anos.

Se concorresse a mais um mandato de Deputado Federal seria facilmente eleito, mas depois disso seria apenas mais um deputado no Congresso Federal, com seu brilho ofuscado por tantos outros deputados federais muito mais atuantes, relevantes e midiáticos que ele.

Ratinho, o Júnior, tem ambições maiores. Não quer ser apenas um coadjuvante na história política, quer ser protagonista, quer ser cacique.

E qual é o plano?

O plano é maquiavelicamente simples.

O moço é um fenômeno de votos e se repetir o desempenho das últimas eleições será facilmente o recordista de votos nominais para o cargo de Deputado Estadual do Paraná.

Histórico:

Eleições/Partido

Cargo

Votos Nominais

Percentual dos votos Válidos

2002/PSB Dep. Estadual 189.739 3,656%
2006/PPS Dep. Federal 205.283 3,827%
2010/PSC Dep. Federal 358.924 6,805%
2012/PSC 1ºT Prefeito 332.408 34,08%

Em 2010 o candidato Ratinho Jr. ainda não possuía a força da participação de 33,32% na Rede Massa de Comunicação LTDA, contando com cinco emissoras de TV, aproximadamente 200 retransmissoras cobrindo 100% do território estadual e ainda, as oito emissoras de rádio FM cobrindo as principais e mais populosas regiões metropolitanas do estado.

Para as eleições de 2014, com o apoio legal, porém imoral, da rede de rádio e TV onde Ratinho Jr. é um dos proprietários, podemos esperar um desempenho ainda melhor do candidato nas urnas.

Vamos supor que o candidato Ratinho Jr. apenas repita seu desempenho de 2010, arredondado para 7% do total de votos válidos.

Clique aqui para entender como é feito o cálculo das eleições

Sozinho Ratinho Jr. elege-se a ele mesmo e mais outros 4 deputados da sua coligação.

Levando-se em consideração que além de Ratinho jr. concorrem pela mesma coligação outros 107 candidatos, alguns deles com boas chances de conseguir uma quantidade considerável de votos. Numa estimativa modesta, pode-se esperar que a próxima legislatura da ALEP conte com entre 8 e 14 deputados do PSC e de partidos menores, satélites, atualmente coligados a este, o PR e PTdoB.

Pode parecer pouco, mas não é. Atualmente, o partido com o maior número de representantes na ALEP é o PMDB, com seus 13 deputados.

Além disso, na última eleição o PSC elegeu apenas dois deputados estaduais.

Com esta demonstração de poder nas urnas, Ratinho Jr. pode se quiser (e vai querer mesmo), pleitear a presidência daquela casa, finalmente tornando-se protagonista, um cacique. E não importa quem seja eleito governador, este vai ter que tocar conforme a batuta do dono da Rede Massa de comunicação. Se não, nada se faz nada se aprova e o executivo ficará travado.

Além disso, de lambuja, Ratinho ainda contribui para dar musculatura ao Partido do qual ele é presidente estadual.

Não custa nada lembrar que para substituir o lugar (e os votos) de Ratinho Jr. na Câmara Federal, foram escolhidos pelo menos dois nomes com grande potencial para tornarem-se igualmente campeões de votos:

A auto-intitulada psicóloga cristã, Marisa Lobo (PSC-PR) que recentemente teve cassado seu registro para o exercício da profissão de psicóloga.

O Bolsonaro dos Pinheirais, Sheherazade de cuecas, olavette assumido e orador do instituto Mises nos jornais da Rede Massa de Televisão, Paulinho Martins (PSC-PR).

Tubo bem, o PSC está tentando se firmar como principal legenda de oposição aos projetos de cidadania e inclusão social iniciados no governo Lula em janeiro de 2003.

Tudo bem também que a atual grande força de oposição ao Governo Federal, o PSDB, vem fazendo uma oposição chula e desonesta desde janeiro de 2003.

Mas não me parece que o PSC com seu discurso religioso, sexista, segregador, conservador e homofóbico, seja uma alternativa coerente de oposição ou mesmo de governo.

O destino poderia ter preparado algo “menos pior” para a gente.

Que Deus nos livre de novos e mais raivosos Marco Felicianos na política!

Polaco Doido

Marcha das Vadias – Curitiba 2014

 Se o Papa fosse mulher,

O Aborto seria legal,

Seria legal e seguro,

Se o Papa fosse Mulher.

 

Quem ganha e quem perde com a regulamentação da maconha no Brasil?

Segundo o Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada, o número de mortes relacionadas ao tráfico e ao consumo de maconha no Uruguai foi reduzido a ZERO, depois de aprovada a legislação que regulamenta o consumo, a produção e a comercialização da erva naquele país.

Ainda é muito cedo para termos dados estatísticos que confirmem as teses dos contrários a regulamentação que afirmam ser a maconha uma porta de entrada para drogas mais pesadas e que devido a “liberação” da maconha no Uruguai, o país vizinho em breve trornar-se-á uma nação de drogaditos e nada mais.

Pelo menos, por enquanto, a regulamentação tem sido positiva. O número de crimes relacionados ao consumo e ao tráfico de drogas tem diminuído consideravelmente e a estrutura familiar tradicional daquele país ainda não entrou em colapso.

Neste primeiro momento, parece que alternativa da regulamentação e controle do estado a respeito do consumo e comércio de entorpecentes é muito mais benéfica para a sociedade em geral do que a simples repressão e criminalização que vinham sendo praticadas por lá.

Estimativas do Escritório das Nações Unidas sobre as Drogas e o Crime apontam que 500 pessoas morrem diariamente vítimas do consumo de drogas ilícitas, do tráfico, ou da guerra contra as drogas.

Este modelo de guerra contra as drogas que privilegia o combate aos entorpecentes ilícitos pela via criminal já está completamente esgotado. É uma guerra perdida e que deixa 185.500 vítimas por ano no mundo. Os gestores nas nações mundiais deveriam se sensibilizar com estes números e, pelo menos, buscar alternativas. Como fez nosso vizinho Uruguai.

Mas se o querido leitor, como eu, também gosta de dar um tapinha de vez em quando, não vê nenhum mal maior no consumo da maconha e está louquinho para que o Brasil adote uma lei nos moldes da uruguaia para a legalização da maconha, pode ir tirando seu cavalinho da chuva. Por aqui o buraco é bem mais em baixo.

As diferenças culturais, territoriais e populacionais entre o Brasil e o Uruguai são enormes, nossa realidade é completamente diferente e a abordagem para o problema das drogas também deve ser completamente diferente.

Para começar, estima-se que o comércio local de drogas ilícitas no Brasil gere lucros de R$ 1,4 Bilhão/ano (dados de 2009). Essa grana toda movimenta uma complexa rede de lavagem de dinheiro além também de ser o principal pilar de sustentação do crime organizado no país.

Não é preciso de muitas conjecturas para ligar o desconfiômetro e constatar que, por aqui, o crime organizado e os barões das drogas estão infiltrados nos Executivos, Legislativos e Judiciários espalhados pelo país, além também possuir tentáculos ativos nas polícias civil e militar dos estados, como também, na própria Polícia Federal.

O caso helicóptero do pó, foi muito revelador. Os dados vazados em doses homeopáticas da Operação Lava-Jato que revelam políticos e autoridades, das mais variadas correntes ideológicas, evolvidos e/ou beneficiados pela lavagem e remessa ilegal para o exterior de mais de R$ 10 Bilhões, também.

O Conservadorismo moral da sociedade brasileira, fortemente embasada em preceitos já ultrapassados do catolicismo medieval, impede que temas deste tipo sejam discutidos e analisados de maneira lúcida, coerente e factual. Para esta considerável parcela da sociedade brasileira as “drogas” ou até mesmo a inofensiva “maconha” são assuntos proibidos. Qualquer problema decorrente do uso destas substâncias só aflige as outras famílias menos estruturadas e se, por ventura vier atingir o próprio núcleo familiar do indivíduo o problema é convenientemente guardado em segredo, tratado como um assunto interno de família.

O neo-conservadorismo oportunista dos pastores, pastores-deputados e deputados das bancadas evangélicas espalhadas pelos legislativos. Estes neo-conservadores oportunistas, muito mais do que defender valores cristãos, da família tradicional ou até mesmo morais, estão interessados principalmente nas polêmicas criadas por suas declarações a respeito de qualquer assunto polêmico.

Para eles, as reações e os holofotes colocam seus nomes muito mais em evidência. Graças a estas polêmicas artificiais eles conquistam os corações e mentes de brasileiros com Elevado Índice de Conservadorismo Moral Cristão e assim, mesmo sem projetos ou propostas relevantes durante seus mandatos eletivos, a cada nova eleição vêm seu número aumentar e cada vez ganham mais espaço e relevância no teatro político do país.

Mas não para por aí.

No Brasil o consumo da maconha e de outras drogas é tolerado pelas autoridades, porém o tráfico e o plantio, mesmo que doméstico para consumo próprio é penalizado de maneira exemplar e até desproporcional. Posso até estar redondamente enganado, mas esta atitude das autoridades não penaliza muito mais o usuário e o pequeno traficante e, em contra partida,protege os grandes barões do comércio de drogas ilícitas, numa espécie de segregação institucional do mercado ilegal de drogas?

Muito mais que uma droga recreativa ou até mesmo, uma porta de entrada para outras drogas “mais pesadas” a maconha serve também como terapia auxiliar para os mais variados tipos de enfermidades, desde ansiedade até AIDS e câncer.

Psiquiatras brasileiros fizeram uma experiência interessante. Incentivaram dependentes de crack a fumar maconha durante o processo de largar o vício. O resultado foi surpreendente com 68% de sucesso nos casos analisados. Porcentagem muito superior a todos os tratamentos tradicionais utilizados atualmente.

E daí?

E daí que 90% das entidades que se prestam ao atendimento gratuito de dependentes químicos, principalmente usuários de crack, são ligadas a alguma instituição religiosa. Além disso, muitas destas entidades gozam de um benefício público no mínimo intrigante. Elas recebem títulos de Entidade de Utilidade Pública dos governos Federal, Estaduais e Municipais e que, entre outros, garantem que estas instituições firmem convênios com os governos e até recebam verbas públicas.

Ora, o percentual de recuperação de viciados em crack com os tratamentos convencionais em entidades beneficentes é da ordem 3 ou 5%. A se continuar a atual epidemia do uso de crack e mantendo-se o atual esquema ineficaz de tratamento, estas as entidades serão cada vez mais de utilidade pública e cada vez mais vão precisar de mais convênios com o estado e mais verbas públicas para continuar recuperando quase ninguém. Uma bola de neve, um negócio da China, um esquema de pirâmide que lesa principalmente os cofres públicos e que muito pouca gente vê como nocivo para toda a sociedade.

Sendo que um tratamento alternativo e muito mais eficaz já foi testado e só não pode ser aplicado em grande escala porque no Brasil a maconha não pode ser utilizada nem como medicamento.

Para pensar na cama antes de dormir:

Será que este pessoal que condena intransigentemente a regulamentação da maconha no Brasil o faz para defender a família, a moral, os bons costumes e os valores cristãos. Ou será que fazem isso, mesmo que inconscientemente, apenas para defender interesses e garantia de mercado para uma dúzia de igrejas, pastores e políticos, policiais e barões do tráfico que lucram alto com a tragédia das drogas e da guerra contra as drogas no Brasil?

Não sei.

O que sei é que apesar dos tímidos avanços sociais dos últimos 12 anos no Brasil, o espírito conservador brasileiro ainda permanece o mesmo dos últimos 500 anos desde a colonização européia.

A saga da descriminalização e regulamentação da maconha bem como outros temas polêmicos por aqui, vai seguir o mesmo rumo da saga pela abolição da escravidão que só terminou oficialmente em 1888 e decretou oficialmente o fim da monarquia no Brasil.

Apesar de muitos debates, muitas discussões acaloradas, inevitavelmente seremos o último país americano com uma regulamentação para o uso e o cultivo da maconha. E é bem provável que esta regulamentação nos custe até a democracia.

Entrevista com Claudio Ribeiro, pré-candidato ao Senado, com o coletivo de blogueiros do Estado do Paraná

Ao vivo

Psicóloga Cristã garante vaga antecipada no Congresso Federal

Segundo o Site de notícias neo-pentecostais Gospel Prime, a auto-intitulada “Psicóloga Cristã,” Marisa Lobo, acaba te ter seu registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR). A decisão não é definitiva e ainda cabem recursos.

Pronto! Está feita a cagada.

Podem se preparar para a choradeira e o mimimi dos extremistas evangélicos que irão inundar as redes digitais com alegações de que a psicóloga cristã está sendo perseguida por professar sua fé.

Podem se preparar para a choradeira e o mimimi de que o Brasil se transformou em uma ditadura gayzista, que o próximo passo dos comunogayzistas é acabar com a família tradicional e que todos, sem nenhuma exceção, serão em breve obrigados por lei a colarem o velcro e liberarem seus briocos sem chiar. Acabaram-se definitivamente os relacionamentos heterossexuais, a parir de agora sexo heterossexual apenas para fins de reprodução da espécie

E podem ter absoluta certeza de que Marisa Lobo, recém filiada ao PSC de Marco Feliciano, Ratinho Jr., etcaterva será eleita com um número recorde de votos para a próxima legislatura na Câmara federal.

Lógico que para Marisa Lobo a situação não poderia ser melhor

Ela mantém seu nome em evidência nas vésperas de uma campanha eleitoral e ainda se passa por mártir perante seu eleitorado de fanáticos religiosos.

Passadas as eleições, com mais recursos e advogados bancados com verbas do partido, da igreja e até, quem sabe, da própria Câmara Federal,  recupera fácil seu registro profissional junto ao Conselho Federal de Psicologia.

Enquanto isso… Nós, reles mortais, eleitores e nada preocupados com o que se passa  nos templos evangélicos, seremos presenteados mais uma vez, com mais um nome engrossando a bancada religiosa do congresso e fazendo o coro raivoso ao lado de Felicianos, Euricos, Magnos Malta, etcaterva e seus discursos hipócritas em defesa da família, tradição, propriedade e valores cristãos.

Não é uma maravilha?

Mas vamos colocar o cérebro pra funcionar apenas por alguns minutinhos:

Marisa Lobo teve seu registro cassado por professar sua fé?

Não, Marisa Lobo foi processada e condenada porque não aceitou uma das resoluções do Conselho Federal de Psicologia.

Segundo a Resolução  nº001/99 do CFP em seus art. 3º e 4º:

Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

Ora, é só bater o olho nos sites e páginas da psicóloga cristã ou ver alguns de seus vídeos disponíveis na rede que se chega a conclusão de que ela contraria as decisões do conselho todo o tempo e sem o menor pudor.

Demorou muito tempo para o CRP-PR tomar alguma atitude.

Religião, qualquer religião ou a ausência dela, é uma escolha estritamente individual, pessoal e não deve nunca misturar-se com a atividade profissional e regulamentada.

A Psicóloga Cristã tem todo o direito de acreditar que a homossexualidade é uma espécie de desvio de comportamento ou uma doença, mas esta opinião pessoal deve restringir-se exclusivamente a sua vida pessoal aos seus debates e palestras para os membros e fiéis de sua igreja. Nunca, mas nunca mesmo, em suas declarações públicas, em seu consultório ou nas redes sociais.

Em que tipo de universidade mequetrefe essa mulher conseguiu o diploma para não saber nem isso?

Mas é claro que Marisa Lobo vai tirar muita vantagem desta situação e, para tanto, vai utilizar-se do mesmo estratagema utilizado pelos caciques religiosos desde a ascensão do cristianismo há quase dois milênios passados.

Vai posar de vítima, de mártir e ainda vai incutir o medo (mais medo) na consciência de todos que a seguem e a admiram.

Não bastasse o medo do diabo, da punição eterna no fogo do inferno, os crentes agora também terão medo da ditadura gayzista, da perseguição aos religiosos com se tivéssemos regredido aos tempos de Nero e de seus incêndios em Roma e das carnificinas de cristãos nas arenas.

Sejamos sensatos, isso tudo é uma tremenda bobagem.

Ditadura gay, perseguição religiosa onde? Você já viu? Eu ainda não.

E se o querido leitor chegou até aqui e não concorda comigo, tudo bem, não tem problema.

É apenas uma questão de se reconhecer como espécie.

Alguns se reconhecem como pessoas, homo-sapiens sapiens e tomam suas decisões conforme fatos e dados. Outros se reconhecem como carneirinhos e precisam que um pastor tome as decisões por eles, nem que estas decisões sejam de levar todo o rebanho para o abate.

Polaco Doido

4º BlogProg – A bloguerada independente cada vez mais organizada

Neste último final de semana, entre sexta-feira e domingo (16 a 18/05), foi realizado em São Paulo o 4º encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais.

Cerca de 500 pessoas se fizeram presentes durante os três dias do evento e, diferente do que tentam nos fazer acreditar, não foi um encontro exclusivo de governistas “chapa branca.”

Claro que entre os participantes havia muitos petistas, representantes das variadas correntes dentro do partido e não apenas os governistas da ala majoritária. Também muitos representantes de outras siglas partidárias como PCdoB, PDT, PSOL, movimentos sociais e muita gente sem vínculo nenhum com qualquer sigla partidária ou movimento social.

Arrisco até classificar a imensa maioria dos presentes como este Polaco metido a besta que aqui escreve:

Blogueiros e ativistas digitais independentes periféricos e amadores que distribuem suas opiniões nas redes sociais digitais e blogs sem receber nenhuma espécie de subsídio para isso e com apenas uma única coisa em comum, a ideologia de esquerda. Representantes das mais variadas correntes de esquerda, desde moderados quase centristas até alguns poucos radicais. Nem é de se estranhar que os presentes se referiam uns aos outros como companheiros ou camaradas.

É evidente que a realização de eventos deste tipo são muito positivas para o amadurecimento do debate democrático no brasil.

Caso o leitor ainda não tenha conseguido enxergar nas letras miúdas das notícias e opiniões a que somos bombardeados diariamente. Os ditos “formadores de opinião” da mídia tradicional e hegemônica, porta-vozes do ideário de direita, do capitalismo desregulado, defensores do imperialismo norte-americano e até os proto-golpistas e proto-fascistas estão organizados e representados por instituições como o Instituto Mises, Instituto Millenium e outros tantos espalhados por aí.

Para aqueles com um ideário mais a esquerda no espectro político, a única opção é aliar-se a grupos políticos ou atores políticos que teoricamente representam o pensamento de esquerda e limitar-se a defender os interesses destes grupos ou indivíduos. Quase sem nenhum espaço nos meios de comunicação tradicionais e hegemônicos, para garantir a própria existência se vêem obrigados a criar polêmicas (mesmo que negativas) apenas para que seus financiadores e patrocinadores tenham seus nomes lembrados pelos consumidores de informação.

Com isso os ideais das mais variadas correntes do pensamento genuinamente de esquerda acabam-se limitados apenas aos independentes e periféricos com suas páginas, postagens e bolgues visualizados quase que exclusivamente por aqueles leitores já iniciados no tema.

A organização destes indivíduos independentes em grupos plurais e heterogêneos é a melhor das alternativas para se levar ao leitor, o consumidor da notícia e da opinião, um diferente ponto de vista. Um ponto de vista voltado para o benefício de todo o conjunto da sociedade, o ponto de vista das minorias, dos excluídos, dos assalariados, dos pequenos empresários e profissionais liberais. Ou seja, um ponto de vista que representa e defende os interesses da imensa maioria dos indivíduos da sociedade e não os interesses de grupos políticos poderosos, dos grupos que controlam a força de trabalho e a grana.

Esta foi a idéia principal que voltou comigo do 4º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais. Não foi a única, durante os três dias do encontro muitos assuntos para lá de pertinentes foram levados ao debate: a luta pela democratização da mídia no Brasil; O poder e o contra poder da mídia; Venezuela, conflitos sociais e manipulação da mídia entre tantos outros, merecem meu pessoal destaque.

Claro que não posso deixar de registrar aqui aminha opinião a respeito do maior destaque de todo evento, a presença e a palestra do Ex-Presidente Lula.

Antes do inicio da participação do ex-presidente, o local do evento foi tomado por uma verdadeira horda de repórteres e cinegrafistas a serviço grande imprensa corporativa. O local ficou pequeno para o tamanho do prestígio d”O Cara.” O salão se encheu de figurões como Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, Alexandre Padilha, ex-ministro e pré-candidato ao governo do estado de são Paulo e, para minha surpresa, o Senador Eduardo Suplicy, o pai do Supla, ex-marido da Marta, sentou-se a meu lado e trocamos algumas frases bem humoradas a respeito das ponderações do ex-presidente e do comportamento dos representantes dos jornalões e TVs ali presentes.

O ex-presidente falou mais de uma hora e, experiente que é, de maneira bastante informal descontraída, disse exatamente aquilo que nós blogueiros e ativistas queríamos ouvir, entre muitas outras soltou essa: me surpreende como vocês [blogueiros] chamam TANTO a atenção da IMPRENSA.” Numa evidente provocação aos grandes veículos de imprensa ali presentes.

Finalizada a palestra de Lula uma espécie de “encosto tiéte” invadiu o esqueleto deste Polaco,  tentei me aproximar mais para, quem sabe, tirar uma foto com o ex-presidente pop star. Infelizmente fui impedido pela horda de repórteres e cinegrafistas e o “chega-prá-lá”  que levei da turma do CQC acabou com qualquer esperança que eu tinha de chegar mais perto d”O Cara.”

Além de tudo isso, nosso encontro serviu também para o encontro pessoal de grandes amigos virtuais que ainda não se conheciam pessoalmente. Fiquei muito feliz em encontrar o camarada Zé Carlos do blog Com Texto Livre, o piazote além de bom de idéias também é bom de papo e bom de gole. Tenho a impressão de que a rapaziada do boteco ali na praça Roosevelt ainda vai falar bem da gente por um bom tempo.

Por fim, um abraço especial pra moçada que organizou e realizou o evento. Sei que não é nada fácil, mas a moçada se superou.

Foi Muito Bom!

Que venha o 5º Encontro em 2016!

Polaco Doido

 

Armar o cidadão de bem’s seria a solução para o problema da violência?

Como em todo ano de eleição, pré-candidatos a cargos eletivos erguem a voz para assuntos polêmicos apelando para o senso comum na tentativa de angariar os votos daqueles menos interessados nas reais causas dos problemas e na busca por soluções mais sensatas para a solução destes problemas.

Depois dos justiciamentos populares defendidos em cadeia nacional de TV pela apresentadora Rachel Sheherazade do SBT e da repercussão de suas declarações, tenho quase certeza que os temas violência e o direito divino do cidadão de bem’s em se defender dos marginais, serão os principais assuntos da campanha eleitoral que se aproxima.

Ou melhor, se aproxima não, já está aí, a campanha eleitoral já está a todo vapor.

Nas minhas redes, sou diariamente bombardeado por uma campanha quase surreal. Alguns pretendentes ao cargo de deputado, já tem a solução para todos os problemas:

Pôr fim ao estatuto do desarmamento, lei nº 10826/2003

O estatuto do desarmamento não proíbe ninguém de ter uma arma. Desde quê, esta pessoa passe por uma série de exames de capacidade e sanidade mental e não tenha antecedentes criminais. A única exceção, é que o cidadão comum, civil, pode ter sua arma em casa, só não pode andar por aí, desfilando com ela na cintura.

Porém, para os proto-candidatos e  gênios da segurança pública, se todo cidadão de bem’s tiver o direito divino de portar uma arma para sua defesa, toda a violência irá acabar, como se num passe de mágica.

Será mesmo?

Neste final de semana, na cidade de Santo André – SP, o médico Ricardo Seiti Assanome, foi até a delegacia do 2º Distrito Policial daquela cidade, apenas para registrar um boletim de ocorrência a respeito de um leve acidente de transito sem vítimas, feridos e apenas um pequeno prejuízo material (o B.O. serviria apenas para os trâmites do seguro do veículo do médico).

De repente, um susto. Um policial militar à paisana entrou correndo na delegacia.

No susto, o agente de telecomunicações da polícia civil, André Bordwell da Silva, achou que se tratava de um atentado, um ataque àquela delegacia. Sacou de sua arma e começou a distribuir tiros para todos os lados. Na confusão, o investigador de plantão ouviu os tiros, sacou sua arma e partiu para o ataque.

Não havia nenhum marginal na recepção da delegacia. Não se tratava de um ataque ou atentado e nenhuma vida corria qualquer tipo de risco. Foi só um susto, nada mais.

Este susto rendeu o disparo de nada menos que 30 projéteis e resultou em dois homens feridos e outro morto com um tiro na cabeça, o médico de 28 anos, Ricardo Seiti Assanome.

Uma tragédia, uma história absurda que desnuda todo o despreparo e o elevado nível de estresse que se encontram os agentes da polícia não só no ABC paulista como em quase todo o Brasil.

Ora, mas se agentes e investigadores da Polícia Civil, com toda sua experiência, treinamento e sangue frio, por causa de um susto disparam trinta vezes suas armas, que fará então, o cidadão de bem’s quando armado e numa situação de estresse?

Num acidente de transito, uma amassadinha no paralamas vai render seis pipocos na cabeça do motorista imprudente?

Numa caminhada noturna, a presença de algum elemento suspeito caminhado atrás ou na direção do cidadão de bem’s será suficiente para justificar uma série de disparos a esmo que podem ferir ou matar sei lá quantos?

Numa discussão de bar, a última palavra e a razão será definida por aquele cidadão de bem’s com o saque mais rápido?

Mais uma infinidade de outras situações que inevitavelmente terminarão em tragédias.

Eu aqui, polaco e completamente doido, não entendo lhufas de segurança pública, mas já andei armado pala rua e sei que, quando se está armado você é muito mais confiante, você não sente medo e, com o sangue quente, você nem mede as conseqüências de seus atos.

Armar a população de bem’s não é a solução, ao contrário, só vai agravar ainda mais o problema.

Arrisco até em afirmar que o problema está nas próprias polícias civil e militar que deixaram de servir e proteger a vida humana e passaram a servir proteger o patrimônio e o capital dos homens de bem’s. O problema está também no sistema que deixou de lado as medidas de prevenção e só tem olhos para as medidas de punição.

Sendo assim, se armar para quê?

Para proteger seu iPhone do ladrãozinho viciado em crack?
O que é mais valioso. Seu iPhone de R$ 3 mil ou sua vida, ou a vida do viciado que pretende trocar seu iPhone por uma dúzia de pedras de crack?

Pois é. Soluções mágicas e mirabolantes são mesmo fascinantes.

Pena que estas soluções mirabolantes e fascinantes escondem debaixo do tapete do senso crítico individual toda e qualquer possível solução para o problema.

A violência endêmica não é o verdadeiro problema. A violência endêmica é apenas o efeito do problema.

Mas quem dos especialistas em segurança pública terá a coragem para apontar e propor soluções para a verdadeira causa do problema da violência endêmica?

A absolvição dos envolvidos no caso do helicóptero do pó já nos dá a dica. Do jeitão que está, tudo tende a piorar.

Polaco Doido

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