Vamos discutir a legalização da maconha no Brasil?
Depois de ler os comentários cruéis de leitores que condenavam os moradores do Pinheirinho em São José dos Campos – SP que defendiam o “suposto” proprietário daquele pedaço de chão, a truculência da PM paulista e as atitudes do governador tucano de São Paulo, devo admitir que pensei seriamente em dar fim na minha carreira como blogueiro e do blog Polaco Doido. Afinal, de que adianta dedicar tanto tempo e energia com leitores deste tipo, assim tão insensíveis com a vida e a dignidade humana?
Hoje, para relaxar, vou escrever aqui sobre a maconha. Os leitores que por acaso tenham qualquer tipo de ojeriza com usuários de drogas ou ao consumo de drogas ilícitas, que me perdoem, mas este também é um assunto sério que deve ser debatido. Não devemos apenas combater as drogas ou evitar falar sobre elas, agindo assim, apenas contribuímos para a criação de mais um preconceito. Um preconceito imbecil e sem cabimento que apenas atrapalha a convivência entre os habitantes do planeta.
Mas antes que se inicie uma verdadeira orgia de minhocas aí na cabecinha do leitor, já vou avisando. Não sou usuário de maconha. É lógico que já fumei, já traguei, já consumi em forma de bolacha, farofa, bolo e mais um montão receitas. Já fumei fininho, fumei na lata, no balde, no narguilé, no bong, no cachimbo e de tantas outras maneiras que nem lembro. E também, é claro que já fiquei chapado, já fiquei muito chapadão.
Isso foi há muito tempo e nem adianta mandar os PM aqui para procurando por drogas e me prender, não tem, não uso mais. Hoje, só beras, vinhozinho e malboro vermelho. Sinceramente, acho a proibição do plantio e do consumo da maconha, uma verdadeira burrice legal.
O primeiro registro de consumo de maconha pela humanidade data de antes de 3.000 anos da era cristã, antes mesmo de serem construídas as pirâmides do Egito.
No Brasil a primeira lei de combate ao tráfico e ao consumo da erva é de 1830, incrivelmente, a pena prevista para os traficantes, brancos da classe média, eram bem inferior as penas aplicadas aos usuários, na maioria negros escravos. Por sorte essa lei não “pegou” e a proibição definitiva só aconteceu por aqui durante a década de 1920.
Nos “estates” a perseguição a erva e aos consumidores da mesma, deve-se a Harry Aslinger, um funcionário público americano que teve participação ativa na produção das leis proibitivas dos tempos da “Lei Seca” e que depois, resolveu associar a criminalidade e a marginalidade crescente com o consumo da maconha. Entretanto, pode-se atribuir a campanha anti-cânhamo de Asilinger a questões financeiras e pessoais, pois o mesmo tinha ligações familiares com empresários do petróleo e de fibras sintéticas que tinham a intenção de retirar as fibras de cânhamo do mercado substituindo-as por seus produtos sintéticos.
Deve-se a Aslinger a origem de toda essa política mundial antidrogas que não traz nenhum benefício a ninguém e nem, tão pouco, diminui o consumo da canabis e de outras drogas. Os motivos com toda certeza são muito mais políticos e econômicos do que, sociais ou de saúde pública.
Algum leitor pode estar se perguntando: Mas e daí?
Mas e daí que:
Se você faz parte dos 78% da população mundial que nunca deu um tapinha num baseado, eu posso tentar descrever os efeitos para você.
Logo depois que você fuma um baseado começa a sentir algo que poderia ser descrito como uma outra visão do “Eu” Freudiano um estado de alteração da consciência.
Mais ou menos assim: sabe aquele carinha que vive na sua cabeça? Aquela voz que move seu pensamento? Pois é, ele fica muito mais legal, mais divertido, ou resumindo, você se sente feliz. Isso mesmo a maconha é o elixir da felicidade, não importa os problemas, durante um curto período eles ficam em segundo plano e você, mesmo consciente dos problemas, se sente uma pessoa mais feliz. Não, você não fica eufórico ou perde seus reflexos, não existe um aumento da libido e muito menos pode se tornar violento. Na verdade é apenas um curto estado de alteração da consciência. Você ri e fácil, seu raciocínio vai longe em divagações pessoais e tudo a sua volta parece mais perceptível. Você vê as cores, os sons, a música e o pensamento com outros olhos e depois de passado o efeito, você quer comer. É uma tremenda vontade de comer, não é fome, é o que os usuários de maconha chamam de “larica” que leva inevitavelmente para o sono, uma formidável noite de descanso e bons sonhos.
Claro que todos estes sintomas não passam de um efeito colateral do consumo da canabis, que em minha opinião, deveria ser considerada uma erva homeopática. Sim, isso mesmo, a maconha é homeopática que tem efeitos benéficos no tratamento de náuseas e vômitos, glaucoma, espasmos. Pode ser usada como relaxante muscular ou como analgésico. Existem estudos que indicam a maconha para o tratamento da esclerose múltipla e o THC, principio ativo da maconha, tem efeito bastante positivo no combate a células cancerígenas além de retardar a progressão da imunodeficiência em pacientes infectados com o HIV.
O brasileiro Dartiu Xavier da Silveira, Doutor em Psiquiatria e Psicologia Médica, foi responsável por um estudo com dependentes de crack no qual estes se dispuseram a tratar sua dependência com maconha. Ao final do tratamento, 68% dos pacientes abandonaram o uso de crack, e posteriormente também cessaram o uso de maconha. O estudo foi publicado na conceituada revista científica americana Journal of Psychoactive Drugs, em 1999.
Além disso, é uma mentira cabeluda, um folclore, que o consumo de maconha levar os usuários, inevitavelmente a consumirem outras drogas. O consumo da maconha não provoca violência e nem acidentes de trânsito, ao contrário do álcool, que é responsável pela maioria dos acidentes de trânsito e da violência incontrolável nos dias de hoje. E o álcool é liberado no Brasil inteiro, vai entender.
Por que não discutir seriamente a legalização do consumo da maconha no Brasil?
Eu acho que seria um bom negócio para a sociedade como um todo. E você, o que acha disso?
Polaco Doido





.









