Polaco Doido

Sem muita pretensão, um pouco de tudo

Quentinhas da Câmara Municipal de Curitiba

Enquanto nós, simples mortais pagadores de IPTU, ralamos para pagar as contas e sobreviver…

Nossos insignes vereadores, com seus salários de R$ 13,5 mil/mês, utilizam-se da nossa Câmara Municipal e de seu orçamento de RS 11.159.250,00 mensais, mais assessores e polpudas verbas de gabinete, para produzir pérolas legislativas como as que você verá a seguir.

Entre os dias 8 e 15 de abril, em meio a incontáveis requerimentos para que a prefeitura execute roçadas, trocas de lâmpadas, operações tapa-buracos e coloque areia nas canchinhas de futebol, temos várias outras proposições legislativas que fazem valer nosso voto.

 

Em 08/04, Chicarelli (PSDC) propôs:

Encaminhe-se ao Executivo Municipal a seguinte sugestão: Que seja reativada a campanha preventiva “NÃO DE ESMOLAS”.

Vai ver, com a proximidade da realização dos quatro jogos da Copa do Mundo aqui na cidade, o vereador quer dar um tipo de “Solução Final” para os desabrigados e pedintes que atuam na capital.

Com cerca de 4 mil moradores de rua na cidade e com a capacidade total dos abrigos da FAS atendendo apenas mil pessoas.

Sem a caridade dos curitibanos de bom coração, a única alternativa para os pedintes seria ir embora ou então, morrer de fome ou de frio com o inverno que se aproxima.

Sem nenhuma dúvida, uma proposta humanitária e cristã por parte do vereador Chicarelli que, não por coincidência, foi eleito e representa o PSDC, Partido Social Democrata Cristão.

 

 

Em 09/04 Rogério Campos (PSC) propôs:

Encaminhe-se ao Executivo Municipal a seguinte sugestão: A indicação do Delegado Federal Algacir Mikalovski para o cargo de Secretário na Secretaria Municipal de Defesa Social.

A sugestão até parece normal e válida, porém:
O PSD não faz parte da base de governo de Fruet e, sendo assim, é muito improvável que o executivo aceite a sugestão com tanta gente igualmente competente filiados em partidos aliados com o prefeito.

Além disso, segundo o blog da Iza Zilli, o delegado Mikalovski filiou-se recentemente ao partido de Rogério Campos e tem planos de concorrer ao cargo de Deputado Federal pelo PSD do Paraná.

Independente da comprovada experiência do Delegado, fica explicito que a sugestão do vereador Rogério Campos é eleitoreira e visa unicamente, colocar em evidência um nome de seu partido que disputará as eleições no próximo outubro.

 

Em 09/04 Dirceu Moreira (PSL) propôs:

Uma ajuda de custo de meio salário mínimo para Presidentes de Associações de Bairro e de Clubes de Mães, no âmbito do Município de Curitiba.

Pela justificativa da proposta, até que seria mesmo legal uma ajuda de custo para estes presidentes. Só faltou mesmo o vereador Dirceu Moreira dar uma estudadinha na legislação antes apresentar a proposta.

Até onde lembro, o poder público não pode pagar salário ou ajuda de custos para pessoas que não tenham vínculos empregatícios com o estado ou município. Ou estas pessoas teriam que passar em concurso público ou então, deveriam ser contratados em algum cargo de comissão.

Se até eu, que não entendo patavinas de juridiquês sei disso, será que o assessor jurídico do Dirceu Moreira também não percebeu a presepada?

Mas que seja, presidentes de associação de bairros também são excelentes cabos eleitorais e nada melhor que cabos eleitorais bancados com grana pública, Né não, seo Dirceu Moreira?

 

Em 09/04 Chico do Uberaba (PMN) propôs:

Os cemitérios localizados no município de Curitiba devem dispor de serviço de “Velório Virtual”.

O “Velório Virtual” consiste em sistema com dispositivo de imagem do velório de acesso via internet.

Como é?

Algum parente ou amigo seu morre e você participa do velório no conforto do seu lar, enquanto curte uma publicação do facebook, tuitta e passa em mais uma fase no Candy Rush?

Deve ter alguma justificativa coerente para esta proposta, mas assim, de cara, com tantos problemas na cidade esperando uma solução dos vereadores, está parecendo que é mais uma piada com nossa cara.

 

 

Em 15/04 Tiago Gevert (PSC) propôs:

Garante Imunidade Tributária a Templos de qualquer culto no município de Curitiba.

Como se já não bastasse todo tipo de isenção tributária a que as igrejas já têm direito, o nobre vereador Tiago Gevert propõe ainda outras mais. As igrejas ficarão isentas até mesmo do IPTU!

Então, a igreja Universal que possui um prédio inteiro na Sete de Setembro, região central da cidade, ficará livre do IPTU deste imóvel. A mesma Igreja Universal, que recentemente comprou por R$ 32 milhões o terreno onde se localizava a fábrica da Mate Leão e está construindo lá um mega templo, ficará isenta do IPTU neste terreno também?

Quanto que a prefeitura arrecada anualmente apenas com estes dois imóveis citados?

Esta grana não vai fazer falta aos cofres da prefeitura?

E como a prefeitura vai equilibrar a conta?

Lógico que aumentando o valor do IPTU dos imóveis que não são isentos.

Assim, eu, você e mais um monte de gente que não é evangélica dizimista, vai acabar pagando dízimo por tabela, diluído na continha anual do IPTU.

A bancada evangélica curitibana não é mesmo uma gracinha?

 

É, amigo leitor, nossa câmara municipal virou um circo, um circo de horrores.

E você aí, preocupado com a sucessão presidencial, os escândalos da Petrobrás e as obras nos estádios da Copa.

Polaco Doido

 

Onde vai parar o dinheiro arrecadado no estado do Paraná?

Para o leitor mais atento não é nenhuma novidade a constatação de que a administração Beto Richa  conseguiu a proeza de literalmente quebrar os cofres do estado com seu tão alardeado “Xoque de Jestão.”

A fórmula do fracasso é simples e conhecida por todos aqueles que administram desde um pequeno orçamento doméstico até as contas milionárias de uma grande empresa.

Nunca se deve gastar mais do que se arrecada e se isso por ventura vier a acontecer, providências devem ser tomadas para evitar novos rombos no orçamento nos meses futuros.

Infelizmente, no “Xoque de Jestão” de Richa, esta regra básica não existe.

Exemplos não faltam:

  • Os telefones de atendimento da polícia militar, o serviço 190, foram cortados por falta de pagamento às operadoras de telefonia no final de 2013.
  • Os mais de 18 mil presos do estado quase ficaram sem alimentação no mesmo período por falta de pagamento aos fornecedores das quentinhas. (aqui)
  • São muito comuns os relatos de viaturas da polícia paradas por falta de combustível ou ainda, encostadas nas oficinas por falta de pagamento aos fornecedores.
  •  A dívida do estado para com seus fornecedores já ultrapassa a cifra de R$ 1 bilhão.

O engraçado é que ao mesmo tempo em que o estado sofre pela falta de dinheiro em caixa e reclama diuturnamente por causa da não liberação de empréstimos pelo governo federal, a arrecadação do estado só aumenta. Desde janeiro de 2011, o aumento na arrecadação total foi da ordem de 30%. Em 2013, o estado arrecadou com impostos nada menos que R$ 32,14 bilhões. Onde foi parar toda esta grana?

Eu aqui, me recuso a acreditar que esta má gestão do dinheiro público no estado se deva a incompetência de Richa e de sua equipe de governo. Eles não são marinheiros de primeira viagem, Richa e sua equipe ganharam muita experiência durante o período em que estiveram à frente da administração aqui da capital por dois mandatos.

Então, só existe uma explicação lógica:

Richa sacrifica o orçamento público para quitar as dividas com seus patrocinadores de campanha nas eleições de 2010 e com isso, garantir os mesmos patrocínios nas eleições deste ano.

Parece absurdo?

Sim, parece. Mas acompanhe este exemplo divulgado hoje pelos jornalões do estado.

Sanepar dispensa licitação e faz contrato de 23 milhões

Pela sétima vez consecutiva a Sanepar renova contrato de vigilância com as empresas Embrasil  e Auxiliar. Ambas foram recontratadas com dispensa de licitação para prestarem serviços por mais 180 dias, a um custo de 23 milhões no período.

Segundo Celso Nascimento, em sua coluna na Gazeta do Povo, os agentes públicos só podem dispensar licitações para contratar fornecedores em caso de emergências ou calamidades públicas. Não parece ser este o caso, mas como manda quem pode  e obedece que tem juízo, o Governo do Estado continua usando dos nossos recursos para pagar seus patrocinadores de campanha.

A Embrasil e a Auxiliar constam da lista de doadores da campanha para o governo do estado de Richa em 2010. Como pessoas jurídicas independentes, juntas doaram quase R$ 100.000,00 diretamente para a campanha do governador.

Não sei de outras doações escondidas por trás de pessoas físicas ou outras empresas ou, até mesmo, doações destas empresas para os diretórios estaduais, federais ou municipais ligados a campanha do governador.

Quantos outros casos do mesmo tipo estarão escondidos nas páginas do Diário Oficial do Estado?

O que fica bastante claro é que investimentos em campanhas eleitorais vitoriosas é realmente um excelente negócio, o retorno é garantido e os lucros acima de qualquer aplicação financeira.

Os cofres do estado, a segurança pública, a saúde e educação que se danem. Afinal, para quem pode torrar R$ 30 ou R$ 65 mil numa campanha eleitoral a qualidade dos serviços públicos é o último item na sua lista de preocupações.

Acho que o negócio é nós, como eleitores, nos juntarmos e fazermos uma vaquinha para bancar a candidatura de algum governador. Quem sabe assim, o futuro governador direcione o “Xoque de Gestão” para nossas necessidades e não, para as necessidades de alguns poucos empresários carentes das verbas públicas.

Polaco Doido

 

Transporte Público – A greve acabou o imbróglio continua…

Hoje, a partir das 15 horas, o sistema de transporte público de Curitiba e região metropolitana voltou a funcionar normalmente.

Claro que é justa a greve de motoristas e cobradores do Transporte Público por melhores salários. Porém, causa muita estranheza que essa greve se dê justamente às vésperas da definição de valores da nova tarifa técnica.

Atualmente o valor da Tarifa Técnica é de R$ 2,93 e os empresários do transporte pleiteiam um novo valor de R$ 3,40 (um aumento real de 16%) 10% acima da inflação no período (5,91%). Assim, como o subsídio do estado e do município continua garantido, se confirmado o reajuste pleiteado pelos empresários, o usuário pagará por cada passada na roleta, R$ 3,10.

Entre inúmeros dados levantados pela CPI do Transporte na Câmara Municipal, a auditoria do Executivo Municipal e o relatório do TCE-PR, no caso específico desta greve, um deles chama a atenção:

Do total que as empresas arrecadam com o transporte público em Curitiba e região, cerca de R$ 10 milhões/ano ou R$ 800 mil/mês ou ainda, aproximadamente 10 centavos de cada usuário do sistema, vão parar diretamente na conta do SINDIMOC, o sindicato dos motoristas e cobradores.

Este valor é recolhido pelas empresas e repassado diretamente para o sindicato de motoristas e cobradores.

Não entendo lhufas de políticas sindicais, mas até onde sei, os sindicatos são mantidos com recursos das contribuições sindicais de seus filiados e não com recursos diretos das empresas em que estes sindicalizados trabalham. Não é?

Ora, se as empresas transferem R$ 10 milhões/ano para um sindicato, este sindicato está a serviço dos trabalhadores sindicalizados ou das empresas “benfeitoras”?

Não tenho a intenção de acusar ninguém, mas pela forma como foi realizada esta greve, com a paralisação total de 100% das linhas, prejudicando apenas os usuários e servindo principalmente para fazer pressão ao executivo municipal exatamente às vésperas da definição da nova tarifa técnica, ainda mais, com a coleção de relatórios e auditorias que apontam falhas e vícios nos cálculos desta tarifa. Daqui de fora, tem-se a nítida impressão de que o sindicato agiu em defesa dos empresários e não, dos motoristas e cobradores.

Não é de hoje que o sistema integrado de transporte público de Curitiba e região é uma verdadeira galinha dos ovos de ouro para meia dúzia de empresários bem relacionados nos círculos do comando municipal. Porém, até meados da década de 1990, este sistema funcionava muito bem. Até que vieram as políticas neoliberais de Taniguchi, Richa e Ducci. Estes, não sei se por ingenuidade, incompetência ou apenas falta de caráter e total descompromisso com a população que lhes confiou a administração do município, transformaram os serviços públicos da cidade num verdadeiro balcão de negócios lucrativo para os empresários amigos.

Foi assim com a máfia dos radares, com o ICI, com a locação de veículos, com a manutenção dos parques e praças, as podas de árvores e também com o mais lucrativo de todos os serviços, o transporte público.

A licitação para do transporte público só se deu em 2010 e os gestores municipais responsáveis por esta licitação, deixaram completamente de lado as preocupações com a qualidade do serviço, os custos para a população e as obrigações sociais das empresas responsáveis pelo sistema. Toda negociação pautou-se apenas no lucro dos prestadores do serviço e nas gordas comissões destes gestores durante toda vigência dos contratos.

Não é por outro motivo que as várias comissões e auditorias a respeito do tema, apontam sempre para fortes indícios de licitação direcionada, formação de cartel e vários vícios na planilha de cálculo da tarifa técnica.

Não pense o leitor que se trata de um caso de fácil resolução, não mesmo. Todo este carnaval com a greve e o sistema de transporte público na cidade envolve muito dinheiro e muita gente influente e poderosa. Qualquer um que ameace esse “esquema” sofrerá as consequências.

O prefeito Fruet sozinho não tem condições de encarar esta máfia e quanto mais cavoucar no problema, mais pau vai levar de todos os lados.

Não é por outro motivo que pipocam criticas e acusações ao novo prefeito ao mesmo tempo em que certos formadores de opinião tentam fazer parecer que existe um racha entre os lernistas e pedetistas ao lado do prefeito e os petistas ao lado da vice-prefeita, Miriam Gonçalves.

Tem muita grana em jogo e muita gente poderosa e influente envolvida no esquema e lógico que eles não querem perder sua galinha dos ovos de ouro. A principal estratégia nesta guerra é o já manjado e maquiavélico, Dividir para Conquistar. Dividir as opiniões, as diversas equipes do executivo e do legislativo e conquistar a manutenção dos gordos e polpudos lucros no “esquemão”.

Eu aqui, ainda tenho muitas dúvidas a respeito da competência de Fruet e de sua equipe na condução administrativa da cidade. Apesar disso declaro meu apoio incondicional ao prefeito, a vice-prefeita e a toda equipe do executivo e legislativo municipal no enfrentamento da máfia do transporte público e de todas as máfias instaladas na cidade e espero que o leitor também compartilhe deste sentimento.

Polaco Doido

Meias Verdades – Não acredite em tudo que ler por aí.

O Amigo e blogueiro, Esmael Moraes, publicou hoje pela manhã em seu blog, uma nota no mínimo infeliz, para não dizer tendenciosa e carregada de meias verdades.

Neste texto <aqui>, Esmael  tenta nos passar a falsa informação de que a presidente municipal do PPL curitibano, Alzimara Bacellar, se entregou aos caprichos tucanos e neoliberais de Richa, a troco de um cargo de comissão no governo estadual, ocupando a chefia Regional da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Economia Solidária, recebendo por isso o símbolo DAS-5, com vencimentos de aproximadamente R$ 5.000,00/mês.

Esmael só se esqueceu de mencionar que Alzimara é funcionaria de carreira do Estado do Paraná, lotada na Secretaria do Trabalho e que sua nomeação deveu-se exclusivamente ao falecimento do antigo chefe da regional, Paulo Roberto Iorio Lopes, Falecido no ano passado.

A Nomeação de Alzimara é puramente técnica e deve-se a sua antiguidade e competência, como funcionária pública do estado, desde 1986.

Qual o motivo desta manipulação da notícia eu não sei, mas tenho minhas suspeitas.

Muito diferente deste amador, periférico e inexpressivo blogueiro que aqui escreve, Esmael é blogueiro profissional, vive de seu blog e provavelmente, alguma pré-candidatura do PPL-PR deva estar ameaçando as pretensões de algum dos patrocinadores de seu blog.

Não há nenhum mal nisso, é assim que as coisas funcionam na política tupiniquim. Porém, as meias verdades não deveriam fazer parte do repertório. Não contribuem em nada com o debate político e podem ferir de morte reputações construídas com muito trabalho e esforço. Como é o caso da Alzimara Bacellar, pessoa que merece toda consideração e respeito por seu trabalho impecável ao longo de sua carreira como militante, profissional e recentemente, como política. Foi candidata a prefeita de Curitiba nas últimas eleições municipais.

Não é nenhum segredo que ainda sou filiado ao PPL. Já decidi pela minha desfiliação do partido e esta decisão ainda não se formalizou apenas porque não consegui protocolar meu pedido junto ao diretório municipal.

Saio do PPL por pessoalmente não concordar com suas políticas de alianças. Sua aliança com o PSC de Ratinho Jr. no último pleito municipal e agora, a aliança com o PSB de Campos, Marina Silva e PPS para as eleições presidenciais deste ano.

Não tenho absolutamente nada contra a pessoa de Ratinho Jr. ou Campos ou Marina e até entenderia uma política de alianças com o PSC, PSB ou PPS. Porém, todos eles se mostram e mostraram simpáticos aos ideais tucanos (Ratinho com sua aliança branca ao governo Richa em 2012 e Campos/Marina com igual tendência para a candidatura de Aécio Neves agora, em 2014). Eu, como idealista de esquerda, não tenho espaço em minha ideologia pessoal para alianças com o ideário neoliberal tucano, mesmo que estas sejam alianças puramente informais.

Além disso, a verticalidade nas tomadas de decisão e as constantes críticas do PPL na política econômica e de concessões do Governo Federal, sem a apresentação de uma proposta alternativa realista e coerente para estes tópicos, têm me deixado bastante desconfortável na posição de filiado ao partido.

É evidente que, apesar das divergências, não posso concordar com o ataque gratuito ao nome e ao ser humano, Alzimara Bacellar.

Deste modo, fica registrado aqui meu total repúdio para com a atitude do blogueiro Esmael Morais e meu apoio a Alzimara, pessoa das mais justas e dignas que já tive a oportunidade de conhecer e que não merece este tipo de calúnia pública.

Polaco Doido

A Pedreira, era um espaço público, agora …

O prefeito Gustavo Fruet, em sua página no Facebook, anuncia orgulhosamente a reabertura da agora privatizada/terceirizada, Pedreira Paulo Leminski, para o próximo 29 de março, aniversário da cidade.

Na Gazeta do Povo, Hélio Pimentel, sócio gerente da DC Set eventos, empresa agora responsável pela Pedreira Paulo Leminski, informa:

“É um artista unânime, por isso a escolha. Roberto Carlos é um ícone nacional e internacional. Será uma forma bacana de comemorar a reabertura da pedreira”

Unânime?

[pausa para rir litros]

Unanimidade para quem, cara pálida?

Roberto Carlos é um compositor e interprete mediano. Até que canta afinadinho, mas seu timbre de voz agrada apenas aqueles com um gosto musical extremamente duvidoso.

O Rei Roberto Carlos, deve este seu título e fama quase que exclusivamente a seus esquemas de exclusividade com a toda poderosa Rede Globo. Um artista fabricado, em um passado distante, quando a fabricação de estrelas ainda não era lugar comum. Um passado distante em que o sucesso era resultado apenas do talento, do carisma e da afinidade que o artista tinha com o seu público.

Roberto Carlos é o resultado de um golpe contra a cultura nacional. A Jovem Guarda, movimento cultural e musical, criado em laboratório para seduzir a juventude em meados da década de 1960. Também criado para competir contra o estrondoso sucesso dos festivais e artistas das antigas TVs, Tupi e Record. Não é a toa que pesam sobre o “rei” várias acusações de que o mesmo era um informante e artista a serviço da ditadura militar no Brasil e na América do Sul. Não mesmo. Assim como a Venus Platinada, Roberto Carlos é também uma cria, um produto da Ditadura Militar com o propósito de alienar todos os brasileiros a respeito de sua verdadeira situação política e social.

Roberto Carlos é um fantasma da ditadura militar. Um fantasma da ditadura que ainda caminha entre nós.

É evidente que não posso culpar aquele leitor que por acaso não concorde com minhas críticas ao rei Roberto Carlos. É uma questão de gosto. O gosto pessoal é movido por paixões e é sempre perigoso colocar em xeque aquelas paixões que não entendemos.

Porém, se o querido leitor estiver animadinho com o show do “rei”, achando que será um presente da cidade de Curitiba para todos os curitibanos no dia de seu aniversário, pode ir tirando seu cavalinho da chuva. Qualquer apresentação do “rei”, que não seja bancada pela Rede Globo ou suas afiliadas, custa por volta de R$ 1 milhão. Para o dia 29/3, com a capacidade reduzida de 25 mil para apenas 10 mil pessoas confortavelmente sentadas em cadeiras espalhadas pela Pedreira, o ingresso mais baratinho não sairá por menos de R$ 150,00.

A Pedreira que já recebeu estrelas do calibre de Paul McCartney, AC/DC, David Bowie e Iron Maidem, agora é administrada por uma empresa privada. Uma empresa privada que visa o lucro e que tem como obrigação contratual, ceder o espaço para eventos do município apenas algumas poucas vezes por ano.

Como o objetivo da DC Set eventos é o lucro, nada mais lógico que trazer Roberto Carlos para a reinauguração. Um evento com sucesso de público garantido.

Meu maior medo nesse caso, é que a pedreira vire palco de atrações puramente mercantis.

Imagine nossa antiga pedreira servindo de palco para festivais de Sertanejo Universitário, Gospel Gosmento, padres cantores e coisinhas do tipo?

Fazer o quê?

É o preço da terceirização/privatização dos espaços culturais da cidade de Curitiba.

Richa, quando prefeito, fechou a pedreira. Ducci, seu sucessor, vendeu a pedreira. Agora Fruet, o atual prefeito, usa de seu perfil institucional numa rede social digital para fazer propaganda de um evento de uma empresa privada.

É capitalismo de estado a serviço da iniciativa privada.

Pelo menos, ficam as lembranças dos grandes shows na pedreira no tempo em que a pedreira ainda era nossa, era dos curitibanos e não da DC Set eventos.

Polaco Doido 

Cala a boca, Polaco Doido! Eu tenho direito à Liberdade de Expressão!!!

As presepadas dos comentários de Sheherazade no horário nobre da televisão brasileira causaram um estrondoso alvoroço nas redes sociais durante esta semana. Além disso, presenciamos um fato que merece registro. Excluindo-se as disputas eleitorais, raramente se vê opiniões tão claramente divididas entre os prós e os contras ao “justiciamento” popular e aos justiceiros modernos.

Na ala dos favoráveis a Sheherazade, aqui carinhosamente apelidados de sheherazedetes, nada muito além da retórica de boteco. Argumentos como: “bandido bom é bandido morto”, “estamos exercendo nosso direito a liberdade de expressão” ou ainda, “direitos humanos só valem para humanos direitos”.

Eu aqui, fico me perguntando, não ensinam nem o básico sobre a liberdade de expressão e os direitos humanos nas escolas?

Mas como o titio Polaco Doido é mais metido que bagre na lama, titio Polaco Doido  vai tentar explicar ao querido leitor.

Tenho para mim que os tais justiceiros são nada mais que neo-nazistas, muito comuns aqui no sul do Brasil e que, pelo jeitão, também estão aprontando em latitudes ao norte do trópico de Caprocórnio.

Esta minha acusação é uma acusação grave e leviana ou trata-se apenas de um Polaco Doido do Santa Cândida exercendo seu direito constitucional da ampla liberdade de expressão?

Pois bem. Os Direitos Humanos junto com garantia das liberdades de expressão não são um conjunto de regras criadas por agentes vermelhos-socialistas-comuno-bolcheviques na tentativa de se criar uma rede global de patrulha ideologia para fazer com que você, querido gafanhoto, use sua cacholinha apenas para pensar como os donos do mundo querem que você pense.

Não mesmo, estas ideias surgiram há muito tempo. Os filósofos clássicos da antiga Grécia já pincelavam conceitos a respeito e finalmente, em 1948, A Assembléia Geral das Nações Unidas, determinou que a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é um ideal a ser seguido por todas as nações.

Claro que, na prática, as determinações da ONU quase não têm valor algum. Basta ver as atrocidades que acontecem em regiões como a Faixa de Gaza, Afeganistão e Iraque, cometidas pelos Israelenses contra o povo palestino e Norte Americanos nos países recentemente invadidos. Tanto israelenses quanto norte americanos, são signatários da DUDH.

O Brasil, um país que muitos declaram publicamente ter vergonha de viver e ter nascido, está muito mais avançado nesse aspecto, as diversas legislações nativas atendem as determinações da DUDH, sendo muito mais avançada no que diz respeito as liberdades de pensamento e expressão.

Em resumo, segundo a legislação Brasileira, todos nós podemos expressar livremente qualquer dos nossos pensamento e opiniões, sem nenhuma censura prévia. Porém, não nos é permitido:

  • O anonimato;
  • A incitação a qualquer tipo a guerra;
  • A apologia ao ódio (de qualquer espécie);
  • A incitação à violência ou ao delito;
  • A discriminação racial
  • O incentivo ao assassinato.

Mais aqui.

Claro que esta liberdade, como todas as outras, tem seu preço.

Podemos nos expressar sobre quase qualquer assunto que nos der na telha, com os argumentos que acharmos mais convenientes desde que, estejamos conscientes e preparados para as conseqüências destas declarações.

Por exemplo:

Como escrevi alguns parágrafos acima, desconfio que estes justiceiros modernos sejam nada mais que neo-nazistas fazendo das suas neonazistagens regulamentares. Também poderia ter escrito que um Fulano de Tal qualquer é nada mais que um grande filho-da-puta.

Não existe nenhum delito nestas minhas declarações. Porém, se algum dos justiceiros não gostar da minha comparação ou se, Fulano de Tal ou a mãe dele não gostarem de meu adjetivo carinhoso, qualquer um deles pode me processar por calúnia e terei uma grande dor de cabeça respondendo processos e gastando com algum advogado para me defender.

O mesmo acontece com a Sheherazade em decorrência de seus infelizes comentários.

Ao apoiar o “justiciamento”, ela claramente incitou a violência ao concordar com a ação dos justiceiros e, mais cedo ou mais tarde, devido a grande repercussão do caso, alguém vai dar inicio a uma ação judicial contra a moça por causa de sua declaração.

O mesmo pode acontecer com qualquer outro que se declare publicamente favorável as ponderações da jornalista do SBT.

Pronto! Agora as sheherazedetes desvairadas vão subir nas tamancas, ficarão putos dentro de suas calças, bradando que a tal Liberdade de Expressão não passa de um embuste, uma farsa, já que não os é permitido, falarem tudo o que pensam.

Se acalmem meus queridos sheherazedetes, quase tudo neste mundo tem uma explicação  lógica.

As Liberdades de Expressão não são um direito legal conquistado assim, do além, apenas para nosso proveito e alegria.

As Liberdades de Expressão estão contidas dentro das regras e legislações que tratam dos direitos humanos. E mesmo sem entender pisírica de juridiquês, sei que nenhuma norma, lei ou regulamentação, pode se sobrepor ou contrariar a qualquer outra anteriormente estabelecida.

Estas leis brasileiras que tratam dos direitos humanos, entre outros, garantem que:

  • Todos são iguais perante a lei sem discriminação de nenhum tipo;
  • Todos têm direito a um julgamento formal em caso de suspeita de delito;
  • Todos têm direito a um mínimo de dignidade.

Queira ou não, os justiceiros afrontaram estes três tópicos relacionados e mais um monte de leis que não tenho competência para enumerar.

Os tais justiceiros, aos olhos da lei, são criminosos muito mais perigosos que o garoto preso a um poste e que, suspeita-se, furtou algumas quinquilharias quase sem valor.

Eles afrontaram a lei estabelecida e Sheherazade juntamente com as sheherazedetes, aplaudiram e até estimularam este tipo de atitude. Estes, também são contraventores.

Pra finalizar, lembre-se que vivemos sob um regime de Estado Democrático de Direito. Isso significa que todos nós, desde a Presidente da República, um poderoso empresário, um grande banqueiro, eu, você e até o garoto acorrentado ao poste, estamos submetidos as leis estabelecidas.

Todos nossos direitos adquiridos devem-se unicamente a este Estado Democrático de Direito.

Não sejamos ingênuos.

Sheherazade, assim como outros tantos profissionais da informação, são profissionais, só isso. Eu e você também somos profissionais em nossas áreas de atuação. E como profissionais fazemos o que em troca de nossos salários?

Apenas aquilo que o chefe ou patrão manda ou precisa que seja feito. Não é?

Não é de hoje que muitos veículos de informação dedicam muito de seu espaço para nos empurrar goela abaixo a falsa sensação de total falência do Estado Democrático de Direito.

Que interesses se escondem por trás deste tipo de postura?

E mais.
Quem ganha com a imagem ou a realização da total falência do estado?

Eu, você, o garoto acorrentado pelo pescoço?

Ou a face oculta por trás dos pronunciamentos de Sheherazade e de tantos comunicadores a serviço sabe-se lá de quais interesses?

Pensa nisso antes de dormir.

Polaco Doido

Sheherazade é uma faísca acesa dentro de um paiol de pólvora

É claro que as declarações da apresentadora do Jornal do SBT na última Terça feira (04/02) a respeito do “justiciamento” e agressão contra um jovem preto e pobre, acorrentado pelo pescoço a um poste numa movimentada avenida da orla carioca são de causar espanto. Porém, a tal apresentadora ficou famosa nacionalmente, muito mais por suas declarações polêmicas e preconceituosas, por sua visão mesquinha e simplista do mundo que a rodeia do que, necessariamente, por seu talento e competência como jornalista e apresentadora. Em seu comentário, Sheherazade enxergou como positiva a atitude de um bando de marginais que agrediram e acorrentaram em um poste um adolescente que supostamente havia cometido alguns pequenos delitos.

Lógico que teria sido muito mais positivo se a comentarista tivesse usado de seu espaço em rede nacional de TV para explicar a seu público que a população civil também pode contribuir com a polícia por meio da Ordem de Prisão por Cidadão. Bastava que os garotos justiceiros, depois de ter imobilizado o garoto, entrassem em contato com a autoridade e aguardassem a presença da polícia.

Os “Justiceiros” são criminosos muito mais perigos que o jovem acorrentado, mas para a comentarista do SBT isso é irrelevante. O importante para ela é polêmica, o discurso panfletário ideológico contrário as normas do Estado de Direito a que todos nós estamos submetidos.

Mais um comentário preconceituoso, ruim e desnecessário, como tantos outros que a fizeram famosa.

Um comentário péssimo em uma rede nacional de TV reconhecida por sua programação de baixíssima qualidade, onde o único programa que vale a sintonia são as reprises do seriado mexicano Chaves. O Jornal do SBT é um jornal televisivo muito ruim e depois da invenção do controle remoto, da popularização da TV por assinatura, só assiste programa ruim quem não tem outra opção ou tem um tremando mau gosto.

TVs abertas sobrevivem graças à venda de espaços publicitários, os comerciais. Estas verbas de publicidade são distribuídas conforme a audiência de cada canal ou cada programa. Se os comentários de Rachel Sheherazade não rendessem audiência, ela não estaria lá, vomitando suas verborragias proto-fascistas em horário nobre.

Por mais que os diretores do SBT afirmem que as declarações da apresentadora não correspondam com as opiniões da emissora, a moça fala em nome da emissora, seus comentários resultam em audiência e, como conseqüência, estes comentários se transformam verbas de publicidade para o SBT.

É aqui que mora o perigo.

Essa audiência não é pouca, nas redes sociais digitais o número de pessoas que concordam com a opinião da jornalista é talvez até maior do que o número de pessoas que discordam desta opinião.

Esta divisão de opiniões radicais não se limita a este caso específico tão pouco corresponde as diversas divisões dentro da sociedade brasileira. Brancos e pretos, ricos e pobres, crentes e descrentes dividem-se internamente também a respeito dos mais variados temas. Seja os direitos humanos, seja em questões de gênero, raça ou sexualidade, seja em questões econômicas, políticas ou de distribuição de renda. Tudo, absolutamente tudo, virou questão de ordem, não existe mais o meio termo o consenso o respeito mútuo.

Hoje qualquer manifestação de opinião é marcada por radicalismos extremos, qualquer divergência pode custar anos de amizade, rompimentos absurdos e não poucas vezes, até agressões mutuas.

Sinceramente, não sei o que levou nossa sociedade contemporânea a este tipo de divisão radical, mas tenho cá minhas suspeitas.

De alguns anos para cá com o aumento real na renda dos trabalhadores assalariados, a diminuição do número de miseráveis e famintos, a sociedade brasileira sofreu um choque. De um lado, os menos favorecidos agora podem nutrir a esperança de participar ativamente da sociedade marcada pelo consumo. De outro, aqueles historicamente abastados, sentem-se ameaçados pela participação ativa na sociedade daqueles que historicamente sempre foram excluídos.

É esse conflito de interesses que gera esta divisão na visão de mundo dos mais variados indivíduos.

Correndo o risco de estar redondamente enganado, arrisco traçar um paralelo da atual situação Brasileira, com o que acontecia no hoje poderoso grande irmão do norte, às vésperas da Guerra de Secessão.

Nos “Estates”, por volta de 1860, o país deu inicio a uma guerra civil que vitimou mais de 600 mil pessoas e destruiu boa parte da infra-estrutura dos estados envolvidos, só porque o governo, então comandado por Abraham Lincoln, decidiu tomar algumas medidas que impediam a expansão da escravidão.

É lógico que os escravagistas não toparam a idéia e decidiram romper com o governo estabelecido. Um tipo de movimento “O Sul é meu país” só que muito melhor organizado.

De modo bem resumido, estes escravagistas eram os grandes latifundiários e seus agregados, pelegos ou simpatizantes. Eles interpretavam a liberdade como um sinônimo do direito divino de concentrar renda, o direito de defender suas propriedades (escravos eram nada mais que propriedade privada de alguém) e do livre comércio completamente desregulado e isento de impostos.

Este tipo de pensamento conservador não te faz lembrar alguém?

Qualquer semelhança com os comentários de Sheherazade e com todo o povo que compactua com este tipo de visão de mundo, não é apenas simples coincidência.

Como já dizia Vinicius de Morais:  Hoje, muito mais do que em qualquer outro tempo…

“Estamos sentados num paiol de pólvora”

Polaco Doido

A campanha eleitoral de 2014 será pior do que foi a de 2010?

Claro que o leitor lembra da última campanha presidencial em 2010,  a pior campanha desde a redemocratização. Tivemos ficha falsa da Dilma, foto montagem com a Dilma ao lado de um fuzil, acusaram-na de homossexual,  abortista, os ataques constantes aos programas sociais do governo Lula e outros tantos impropérios até chegar ao apoteótico “caso da bolinha de papel” que feriu mortalmente [a candidatura de] José Serra.

Para 2014, com os índices de aprovação de Dilma subindo consideravelmente (77% aprovação pessoal; 58% que consideram o governo ótimo ou Bom; 72% de confiança na presidente) a situação da oposição está pior que da última vez e, mais uma vez, a única estratégia para tentar evitar mais 4 anos de governo petista é abrir mão do jogo sujo.

Os tucanos aliados de Aécio Neves, sem um discurso coerente e que consiga convencer o povão, partem para o denuncismo vazio e atacam, por exemplo, a escala do avião presidencial em Portugal durante a longa viagem entre Davos, na Suíça e Havana, em Cuba. Um deslocamento de mais de 8 mil km. Onde uma escala era mais do que necessária.

Os ruralistas do grupo Bandeirantes têm o coxinhismo do Agora é Tarde que deixará de ser comandado pelo reaça, Danilo Gentili e passará ao comando do super reaça Rafinha Bastos.

Danilo Gentili agora ao lado de eminências do naipe de Rachel Cherazade, Paulinho Martins, et. caterva no time da Diteita Jequiti do SBT, vão continuar desinformando a audiência  e espalhando suas teorias de conspiração calcadas nos dados fidedignos(sqn) , vindos diretamente de Richmond – Virgínia, onde se encontra exilado o astrólogo Olavo de Carvalho que se auto intitula “O maior filósofo brasileiro de todos os tempos.”

Olavo, o cara que doutrina“pensadores” de quilate, os bem conhecidos olavettes:

Estes tipos são extremistas sem nenhuma tolerância ao contraditório, julgam-se detentores de uma verdade absoluta e qualquer um com opiniões divergentes é logo tratado como um inimigo que deve ser combatido, humilhado e desmoralizado. Eles não têm a capacidade de racionalizar e são completamente dependentes de seu mestre e mentor. São sim, tragicômicos na essência, mas detém um grande poder de influência entre aquelas pessoas que se julgam superiores a seus pares. Não mobilizam, não acrescentam, mas atrapalham muito em qualquer debate que pretenda ser coerente.

Também temos os grupos Globo e Abril, com seu joguinho de sempre, criticando toda e qualquer ação para a auto-afirmação nacional, medidas de inclusão social ou qualquer diminuição de privilégios aos mais abastados. O principal objetivo destes grupos é transformar o Brasil no 51º estado.

Destes citados, podemos esperar nada mais que meias verdades, manipulações e baixarias. Claro, ainda faltam os extremistas religiosos que tentarão a todo custo levar o debate para o campo dos preceitos morais e paternalistas, mas estes, por sua própria natureza, assim como os “olavettes,” atrapalham todo e qualquer debate.

Ainda havia alguma esperança com a candidatura de Eduardo Campos do PSB e suas críticas certeiras ao governo Dilma, principalmente no campo econômico.  Não existe nenhuma dúvida de que os erros de Dilma devem ser debatidos para que estes erros sejam corrigidos no próximo governo. Infelizmente, grandes expoentes defensores do projeto “Dudu Campos” têm se mostrado arrogantes e intransigentes nestes debates, afastando das discussões àqueles que mais seriam beneficiados por um confronto de ideias lúcido e livre de preconceitos ou paixões.

Cabe lembrar que o PSB e o próprio Eduardo Campos, até poucos meses eram aliados de primeira hora do atual Governo Federal desde a posse de Dilma em janeiro de 2011. Durante quase três anos concordaram ou fizeram vistas grossas aos possíveis erros de Dilma. Só agora, às vésperas da campanha eleitoral, decidiram romper com o governo e lançar sua candidatura própria. No meu dicionário este tipo de atitude tem até nome: É traição, trairagem.

Oportunistas que se aproveitaram das benesses de serem aliados ao governo enquanto foi possível, para depois traí-lo sob um falso pretexto de discordar de alguns rumos da atual administração. E se até eu, polaco e assumidamente doido, vejo aí uma traição, imagine então aquele eleitor atento, politizado e formador de opinião?

Mas a coisa fica pior, muito pior.

Hoje, durante minhas leituras regulamentares, me deparo com esse texto: Governo Federal Obriga Médica Cubana a Abortar para Impedir que Tenha Filho Brasileiro.

Segundo o texto, uma “falsa médica” do programa Mais Médicos, cubana e  não identificada que receitava apenas chazinhos e ervas para seus pacientes, engravidou e foi obrigada a voltar para Cuba para realizar um aborto. Depois disso, foi enviada novamente ao Brasil para dar continuidade aos seus trabalhos.

Como pena pela gravidez não programada pelo estado cubano e como se já não bastasse o aborto forçado a que foi submetida, a médica ainda teve seu salário de R$1.800,00 cancelado por dois meses e só sobrevive graças à caridade de pessoas da comunidade onde atua.

Ora, é uma acusação muito grave e que deveria estar estampada nas manchetes de todos os jornais. Onde estará Wllian Bonner que ainda não dedicou 15 minutos do jornal nacional para tratar do assunto, tão pouco, a notícia bombástica foi publicada na veja de hoje e nem será apresentada no Fantástico de amanhã. Além disso, pelo texto sensacionalista e teor sentimentalista da denúncia, parece tratar-se de uma notícia falsa e que até minutos atrás havia sido publicada em apenas dois inexpressivos blogs.

Primeiramente, a falsa notícia foi publicada no site iMarahnão.com por Pátria Brasileira uma comunidade que se intitula patriota e afirma estar envergonhada de ser brasileira. A comunidade se presta ao serviço de menosprezar o Brasil e o brasileiros e em fazer ataques a Dilma, a Lula e ao partido dos trabalhadores.

Pior ainda:

O outro blog que publicou falsa notícia foi o Blog do João Santana. João Santana é bacharel em teologia, morador em Curitiba e foi candidato a vereador na cidade nas últimas eleições municipais. Também exibe orgulhosamente a informação de que atualmente é Suplente de vereador na cidade.

João concorreu ao cargo de vereador pelo PSB, o mesmo partido de Eduardo Campos, Marina Silva, Luciano Ducci, Severino Araújo e tantos outros.

Normalmente peixes pequenos de partidos políticos seguem as orientações de suas lideranças. Será que foi essa a orientação que João Santana recebeu?

Se sim, cai por terra a suposição de que a campanha de Eduardo Campos iria elevar o debate eleitoral. Pelo contrário, seguirá o mesmo rumo que levou a oposição à derrota nas três últimas eleições presidenciais, ou seja, a baixaria explícita.

Mas, se serve de consolo, ainda existem pessoas sem ligações formais com nenhum partido político e que tentam discutir de maneira lúcida e coerente os assuntos que realmente interessam.

Um destes assuntos é:

A campanha deste ano não será pautada por Esquerda x Direita, PT x PSDB, O Povo x A Burguesia. A verdadeira disputa de corações e votos se dará entre o Capital Especulativo e o Capital Produtivo.

Quem está do lado de quem?

Clica nesse link: http://blogoosfero.cc/sergiobertoni/blog-do-bertoni/a-silenciosa-e-gritante-disputa-eleitoral tenta descobrir e depois discuta com quem estiver interessado.
Pode ser que seja esse mesmo o xis da questão.

Se formos depender das campanhas eleitorais e as baixarias das militâncias patrocinadas, tudo que vamos conseguir será uma úlcera novinha.

Polaco Doido

 

No Brasil, é médico quem pode pagar uma mensalidade

Matéria de ontem de Aretha Yarak na Folha mostra dados estarrecedores.

Segundo o jornal paulista, o índice de reprovação no exame do Cremesp (Conselho Regional de medicina de São Paulo) foi de 59,2%, ou seja, dos 2.843 novos médicos avaliados, 1.683 não têm condições de exercer a profissão.

Apesar da prova ser muito similar ao revalida (avaliação de médicos formados no exterior para possam exercer a medicina no Brasil) o exame do CRM-Paulista não é eliminatório e todos os alunos reprovados, alguns com apenas 17 acertos em 120 questões de múltipla escolha, poderão exercer livremente o exercício da profissão.

Dos 2.843 novos médicos, 1.942 vieram de escolas particulares e entre estes, o índice de reprovação é ainda mais elevado, chegando a absurdos 71%.

Não duvido que boa parte destes reprovados no exame engrossaram as marchas do Jaleco Branco em protesto contra o programa “Mais Médicos” do Governo Federal.

Assim, não é de se estranhar que quando de uma consulta qualquer em um postinho de saúde depois de um rápido exame, o diagnóstico é quase sempre de uma “virose” que está atacando a população, nada que uma injeção de antibiótico não resolva.

Também não causa nenhuma surpresa a constatação de que no Brasil, em boa parte dos casos, médicos com título de doutor, agem apenas como revendedores de luxo dos medicamentos dos grandes laboratórios internacionais.

Apesar de tudo isso, ainda tem gente que acredita que o principal problema da saúde pública no Brasil é a Copa do Mundo e a falta de estrutura na saúde pública.

Quando precisar de um médico, não se acanhe, procure um médico estrangeiro, pelo menos nesse você tem certeza que foi aprovado em um exame de avaliação.

Polaco Doido

A Reforma Política de Aécio Neves

O Senador Aécio Neves (PSDB-MG), em plena campanha pela sucessão presidencial deste ano, declarou à Agência Estado que, se eleito, a primeira medida que tomará como presidente será enviar ao congresso uma [nova] proposta de Reforma Política.

Aécio, que é senador da República, deveria saber que as propostas de uma Reforma Política já tramitam efetivamente no senado desde 2011 existe até uma comissão de senadores para tratar deste tema e o mesmo ocorre também na Câmara Federal.

Como estas reformas demoram a ser decididas, principalmente por causa das divergências entre os vários parlamentares envolvidos, a Presidência da República, durante as manifestações de junho, enviou ao congresso uma proposta de plebiscito para a Reforma Política. Neste plebiscito, os eleitores iriam decidir a respeito dos cinco temas que mais travam as discussões:

  1. O Financiamento de Campanhas;
  2. O Sistema Eleitoral;
  3. As Coligações Partidárias;
  4. A Suplência do Senado;
  5. O Voto Secreto no Congresso.

Todos os temas bastante polêmicos e que dividem as opiniões de nossos nobres parlamentares em basicamente dois grupos bastante distintos:

De um lado, aqueles interessados em aumentar a participação popular no processo político e eleitoral brasileiro e também tentam criar mecanismos que facilitem a transparência destes processos.

De outro, aqueles que defendem a política tradicional, as oligarquias, poucas famílias que há gerações ocupam algum cargo eletivo. Estes então interessados em diminuir cada vez mais a participação popular nos processos políticos e eleitorais para com isso, garantir que suas gerações futuras continuem no comando de todo esquema.

Aécio faz parte do segundo grupo e já adiantou que, se eleito, vai jogar na latrina todas as deliberações e discussão de nossos parlamentares sobre o tema desde 2011 e vai impor suas vontades para a Reforma Política.

As três principais propostas de Aécio se resumem a:

  1. O Fim da Reeleição (somente para presidente, governadores e prefeitos);
  2. A Cláusula de Barreira;
  3. A implantação do Sistema de Voto Distrital Misto.

— O Fim da Reeleição Para Cargos do Executivo

Particularmente, não vejo nenhum problema na possibilidade de uma reeleição para cargos do executivo, desde que, existam regras bastante claras e punições severas para evitar que candidatos no exercício do cargo, utilizem-se deste para obter benefícios eleitorais.

Seria muito mais positivo para todo o processo democrático se fossem proibidas as reeleições consecutivas para os cargos nos legislativos. Também, é necessária a criação de alguma legislação que iniba os ocupantes de cargos eletivos de licenciarem-se de seus cargos para concorrerem a uma nova eleição e, no caso de não serem eleitos, continuem com seu mandato garantido depois de passadas estas eleições.

— A Cláusula de Barreira

Caso o leitor não saiba, Cláusula de Barreira é um mecanismo que inibe qualquer partido de funcionar caso não obtenha um percentual de votos pré-estabelecido nas eleições para as casas legislativas. Foi proposta primeiramente durante o segundo mandato de FHC e deveria ter entrado em vigor no ano de 2007. Porém, em 2006, os ministros do STF consideraram a norma inconstitucional.

Apesar já ter sido declarada como inconstitucional por impedir o direito de manifestações políticas das minorias, Aécio Neves tem planos para ressuscitá-la.

— O Voto Distrital Misto

Neste sistema o eleitor escolheria seus representantes do legislativo de duas maneiras.
Primeiro, escolheria um representante do seu distrito (voto distrital) em seguida, o representante de um partido (provavelmente voto em lista fechada).

O voto distrital, apesar de parecer tentador, dando ao eleitor a falsa certeza de que um representante de seu distrito inevitavelmente será eleito, em médio prazo reduz a representatividade partidária até chegar ao extremo de termos apenas dois ou três partidos verdadeiramente representativos. Além disso, a divisão das eleições em distritos tende a transformar a maioria dos distritos em feudos, verdadeiros currais eleitorais, onde uma família ou grupo de indivíduos domina a preferência do eleitorado daquela região.

A opção pelo Voto Distrital Misto ainda pode acarretar outra disparidade preocupante. Sim, pois se o eleitor escolhe duas vezes, corre-se o risco de uma legenda qualquer, com menos votos, eleger mais representes que outra com um número maior de votos.

Chama a atenção o fato de Aécio nem tocar no assunto, Financiamento de Campanhas. Vai ver, por que o STF já começou as deliberações sobre o tema e a decisão final dos juízes sai logo depois que eles voltarem das férias.

Vai ver, esqueceu mesmo e prefere que o financiamento de campanhas continue do jeitinho que está agora.

Eu aqui, polaco e doido, continuo batendo na mesma tecla.

O tópico mais importante da reforma política é justamente a forma do financiamento das campanhas eleitorais.

Enquanto empresas privadas continuarem bancando as milionárias campanhas eleitorais do Brasil, nosso sistema democrático continuará sendo qualquer outra coisa, menos democrático.

Afinal, o ser humano é corruptível por natureza e toda ideologia, por mais firme que pareça, tem seu preço.

Né não companheirada?

Polaco Doido

Página 1 de 8712345...102030...Última »