Direto, sem tirar nem pôr, do imperdível Lado B

 

Agora, reflita!

(Foto: Albari Rosa / Agência de Notícias Gazeta do Povo)

Com todo esse quadro, com as chacinas e os crimes que seguem sem solução e sem punição, o comando da Polícia Militar sob o (des)governo de Beto Richa (PSDB) determina uma operação desproporcional no Largo da Ordem para reprimir meia dúzia de “calçudos”. Mas foram os foliões, turistas, famílias curitibanas e quem se distraía espantando o calor nos botecos do centro histórico e boêmio da cidade os que mais sofreram as consequências pesadas dessa truculência, pois as bombas de efeito moral e balas de borracha do aparato policial não selecionaram as vítimas de tamanha retaliação.

De repente, a população que percebeu a falta de policiamento para garantir a proteção das pessoas nas ruas do Largo da Ordem durante toda a passagem do bloco carnavalesco – diferentemente da Virada Cultural – se viu diante da mão pesada e repressora do alto comando da Polícia Militar do Paraná no Largo da Ordem. Sob a justificativa das reclamações do típico cidadão ranzinza da cidade, que se incomodava com a folia e com o barulho das ruas que lhe impedia de prestar atenção no entretenimento televisivo do Gugu ou do Faustão, plantado no sofá de casa, e com o intuito de supostamente reprimir, novamente, meia dúzia de “manos calçudos”, o segundo bloco a desfilar no largo foi o “ai, que saudade da ditadura!”, sob a batuta do comando ostensivo da capital. Na época do regime militar, as pessoas se calavam ou se acomodavam vendo as brutalidades das torturas nos porões do governo com medo maior do “comunismo” e das liberdades democráticas. Agora, também se escondem debaixo do véu da apatia, da ignorância e do individualismo.

Foliões fazem a festa ao som do bloco pré-carnavalesco Garibaldis e Sacis (Foto: Felipe Rosa / Agência de Notícias Gazeta do Povo)

A alegria e o carnaval não combinam mesmo com Curitiba… A “cidade sorriso” fechou a cara para o entretenimento e os conflitos motivados pelas disputas de poder na (in)segurança pública do Paraná ganharam as ruas. O bloco “Garibaldis e Sacis” se apresenta há 13 anos na cidade e garante o mínimo do mínimo de festa popular que Curitiba tem a oferecer. Não é à toa que aqui se fecham com a mesma truculência bares e restaurantes, se proíbe a música e as iniciativas culturais espontâneas da população e se fecha o maior e melhor palco de shows da cidade: a Pedreira Paulo Leminski. Essa Curitiba, que é a sexta capital mais violenta do país, a 39ª mais perigosa no mundo em número de homicídios a cada 100 mil habitantes, entre as cidades com mais de 300 mil pessoas, capital de um estado onde explode a violência e, agora, a truculência, retribui o trabalho dos seus cidadãos com bombas de gás e balas de borracha. Há algo de muito podre nesse enredo, que bem poderia se chamar (parafraseando o Capitão Nascimento do Tropa de Elite): “Beto, pede pra sair”!